A Secretaria da Administração Penitenciária do Ceará informou que 23 presos fugiram da Cadeia Pública de Pacoti, a 107 km de Fortaleza, na manhã desta segunda-feira (7). Segundo a pasta, os detentos escaparam durante o período de banho de sol, quando pularam o muro da cadeia, tendo acesso à área externa do prédio.

Segundo apurou o UOL, a cadeia de Pacoti abriga presos da facção criminosa CV (Comando Vermelho). No Ceará, os presos são divididos por facções criminosas, já que elas estão em conflito por espaço tanto nos presídios, como fora deles para controlar o tráfico de drogas.

Durante a tarde, procedimentos de busca foram realizados na região, mas, até 14h15, não havia informações sobre recapturas. A secretaria não informou se a fuga tem relação com a onda de ataques que assola o Ceará desde a noite da quarta-feira (2). A fuga será apurada pelas autoridades.

As três facções que atuam no Ceará –PCC (Primeiro Comando da Capital), CV e GDE (Guardiões do Estado)– teriam se unido com o objetivo de retaliar declarações do secretário da Administração Penitenciária estadual recém-empossado, Luis Mauro Albuquerque.

O secretário afirmou durante sua posse não reconhecer o poder das facções no estado e disse que o Ceará passaria a deixar de dividir presos de facções rivais em unidades prisionais diferentes. A divisão é feita em diversos estados para evitar confrontos e mortes dentro de estabelecimentos prisionais, mas as facções acabam dominando as unidades onde são maioria.

A retaliação do crime organizado teve início com ataques na quarta-feira (2) e segue até esta segunda (7). A reportagem do UOL apurou que o número de atentados passou de 125 e atingiu ao menos 36 cidades do estado. Com o reforço na segurança da capital e região metropolitana, onde os ataques estavam sendo concentrados até sábado, a estratégia dos criminosos mudou. Entre ontem e hoje, houve registros de atos violentos no interior.

O governo do Ceará iniciou no domingo a transferência de presos suspeitos de comandar a onda de ataques. O governo federal disponibilizou 60 vagas em presídios federais para os líderes das ações. Segundo o governo estadual, apenas um dos chefes de facção tinha sido transferido até as 10h30 desta segunda –outros 20 presos devem ser levados nas próximas horas.

Em vídeo publicado nas redes sociais na tarde de sábado, o governador do Ceará, Camilo Santana (PT), afirmou que a onda de ataques tem como objetivo fazer com que o governo recue de medidas “duras e necessárias” que tem adotado. “O que não há nenhuma possibilidade de acontecer. Pelo contrário: endureceremos cada vez mais contra o crime”, afirmou.


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