Cerca de 150 pessoas participaram, na manhã dessa quinta- feira, 1º de novembro, em Palmas, da primeira reunião para tratar do problema da presença da aflatoxina no milho produzido no Tocantins. O encontro ocorreu com o objetivo de esclarecer os impactos do problema em todos os elos: produtores, técnicos, exportadores e consumidores. O evento foi uma realização do Governo do Tocantins, por meio da Secretaria de Estado do Desenvolvimento da Agricultura e Pecuária (Seagro), em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Aplicada (Embrapa) Tocantins.

Durante o evento, foram abordados motivos, prevenção, níveis de tolerância, identificação e métodos de detecção para incidência da Aflatoxina na cultura do milho. Na palestra Aflatoxinas em Milho: Identificação e Manejo, o pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo de Sete Lagoas (MG), engenheiro agrônomo especialista em fitopatologia e palestrante, Rodrigo Veras da Costa, disse que o problema é bastante sério, apesar de, em geral, as pessoas conhecerem pouco sobre o assunto, as aflotoxinas são um composto tóxico produzido por fungos que crescem e se alimentam dos grãos. “Esses fungos têm o potencial de causar problemas à saúde humana e animal, é um problema de saúde pública. Por isso, existe uma legislação específica para tratar do assunto com relação aos níveis da presença dessas microtoxinas nos grãos e nos diversos alimentos”.

O palestrante explicou também onde e como o fungo cresce e em quais condições. “O problema pode acontecer desde o plantio e vai até o final da comercialização e industrialização. Os cuidados devem começar com o plantio, escolha de sementes e tratos culturais, no manejo enfim”, explicou.

Contenção e prevenção

A reunião se deu por solicitação dos próprios produtores e cooperativas que armazenam os grãos para comercialização exportação. “Este ano, foi detectada a presença da microtoxina em grãos produzidos no Estado, em níveis altos, isso pode atrapalhar a comercialização, principalmente para as exportações, porque os países importadores são muito criteriosos, exigentes com relação à presença dessas toxinas. Então o milho para exportação sempre passa por essas análises e, se tiver a presença da aflotoxina, o produto comprado é devolvido e eles vão buscar milho em outros mercados. O problema ainda é incipiente, mas pode se potencializar e temos que começar a usar medidas de prevenção e contenção desde já”, enfatizou.

O produtor de milho do município de Bom Jesus do Tocantins, Alberto Mazola, falou sobre a importância da reunião para os agricultores. “Nós provocamos a reunião, porque temos uma preocupação muito grande para conter o problema da aflatoxina, que atrapalha as exportações. Não sabemos ainda o que está acontecendo, já que nosso milho é colhido seco e teoricamente não deveria existir o fungo”.

A contaminação por aflatoxinas é um dos problemas que podem comprometer a qualidade do grão, inviabilizando seu consumo nas mais diversas cadeias produtivas causando grandes prejuízos comerciais ao Estado.


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