“Siga o dinheiro.” A frase que ficou famosa no filme “Todos os Homens do Presidente” é mais perfeita síntese da nova filosofia de trabalho da área responsável pelo combate ao tráfico de drogas na Polícia Federal.

Se antes o foco era apreender a droga, agora será sufocar as facções onde, em tese, dói mais: no bolso. A inspiração, diz o coordenador-geral de Repressão a Entorpecentes e Crime Organizado da PF, Elvis Secco, é a Operação Lava Jato.

“A apreensão de drogas por si só não retira o poder da organização criminosa”, diz. “Se você não desarticular [as quadrilhas] financeiramente […], é como se você estivesse enxugando gelo.”

Ele disse em entrevista ao UOL que o foco das ações de combate às facções criminosas serão as estruturas econômico-financeiras delas.

Secco é um “veterano” das ações que tentam enfraquecer o narcotráfico sufocando a estrutura financeira. Ele foi um dos principais responsáveis pela prisão de um dos maiores traficantes da América do Sul, Luiz Carlos da Rocha, o Cabeça Branca, em 2017. Suas investigações descobriram que o tráfico vem utilizando um esquema de lavagem de dinheiro semelhante ao usado por políticos corruptos com a ação –que envolvem, inclusive, doleiros em comum.

No comando direto da área responsável pelo combate ao tráfico de entorpecentes, Secco quer usar mais um dos dispositivos popularizados pela Operação Lava Jato: as delações premiadas. Para isso, vai ter que driblar o temor de traficantes e membros dessas organizações de morrer após revelar os segredos do crime.


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