Chacina no TO: os 23 policiais militares presos por suspeita de envolvimento viram réus

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PMs investigados por envolvimento na chacina de Miracema se tornam réus na Justiça
Os 23 policiais militares presos por suspeita de envolvimento na Chacina de Miracema do Tocantins, que deixou sete mortos, se tornaram réus. A decisão é de um colegiado de três juízes, que aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público Estadual (MPTO). Os militares estão detidos em batalhões da Polícia Militar, em Palmas, por tempo indeterminado, desde o dia 8 deste mês.
Segundo a denúncia, os policiais são acusados de cinco homicídios qualificados, uma tentativa de homicídio e fraude processual. O procurador-geral de Justiça, Abel Leal, afirmou que o grupo atuou de forma orquestrada.
Os advogados dos militares informaram que vão recorrer das prisões preventivas. Para o advogado Paulo Roberto da Silva, a acusação carece de fundamentos sólidos. “Temos certeza de que essa denúncia tem uma base muito rasa. A prisão não tem necessidade”, afirmou.
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O advogado Antônio Ianowich reforçou que a defesa buscará a liberdade dos agentes. “A denúncia não encontra respaldo nas provas produzidas, e a defesa vai provar isso ao longo da instrução criminal”, disse.
“Foi comprovado que esses policiais adulteraram provas e ameaçaram testemunhas. Soltos, com certeza, poderiam atrapalhar essas investigações e a produção de provas”, destacou Abel Leal.
Chacina deixou sete mortos em Miracema do Tocantins
Motagem/g1
Entenda o caso
A Chacina de Miracema ocorreu em fevereiro de 2022 e deixou sete mortos em uma sequência de ataques que durou cerca de 48 horas. Segundo as investigações, a violência teria sido uma represália à morte do sargento Anamon Rodrigues de Sousa, ocorrida durante uma operação clandestina em um mandiocal.
As investigações apontam que os crimes foram cometidos da seguinte forma:
Execução na porta de casa: após a morte do sargento Anamon, Valbiano Marinho da Silva foi executado na porta de sua residência.
Invasão à delegacia: horas depois, policiais invadiram a Delegacia de Miracema, renderam agentes civis e mataram Manoel Marinho da Silva e seu filho, Edson Marinho da Silva, dentro de uma cela. Pai e filho haviam buscado refúgio na unidade por medo.
Sequestro em posto de combustível: três jovens (Pedro Henrique de Sousa Rodrigues, Aprígio Feitosa da Luz e Gabriel Alves Coelho), foram sequestrados em um posto e levados para um loteamento, onde foram executados. Um quarto jovem conseguiu fugir.
Ocultação de provas: a investigação aponta que os policiais furtaram HDs com imagens de câmeras de segurança e simularam arrombamentos para ocultar vestígios.
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A Comissão de Direitos Humanos do Tocantins acompanha o caso e presta assistência às famílias. De acordo com os relatos, uma das execuções foi praticada na frente de crianças.
“Esperamos que essa ação penal vá até o final e realmente se faça justiça. A preocupação agora é cuidar das famílias que ficaram sequeladas”, afirmou Maria Vanir, representante da Comissão de Direitos Humanos do Tocantins.
A Justiça manteve as prisões para evitar a intimidação de testemunhas, já que o processo entra agora na fase de instrução, quando todas as partes e os sobreviventes serão ouvidos antes da decisão sobre o júri popular.
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Fonte: G1 Tocantins