Caetano Veloso recebe ‘Prêmio UBC’ em festa imodesta no Rio com odes da atual geração pop ao compositor

0
10

Jão, Luisa Sonza, João Gomes, Giulia Be, Tim Bernardes, Criolo, Ferrugem e Zeeba cantam músicas do artista em cerimônia que também teve números de Gilberto Gil, Ritchie e Paula Lima. Giulia Be, Luisa Sonza, João Gomes, Zeeba, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Paula Lima, Zé Ricardo, Ritchie, Tim Bernardes e Ferrugem no fecho do sétimo ‘Prêmio UBC’
Miguel Sá / Divulgação
♪ Foi uma festa de fato imodesta, como avisou Paula Lima, Diretora Presidente da União Brasileira dos Compositores (UBC), ao dar voz ao samba Festa imodesta (1974), composto por Caetano Veloso para Chico Buarque, no início da cerimônia em que o artista baiano foi laureado pelo conjunto da obra.
Na noite de ontem, 5 de dezembro, Caetano Veloso foi saudado como genial compositor popular ao receber o Prêmio UBC no Rio de Janeiro (RJ), na sede dessa instituição de direitos autorais que concentra os maiores criadores de música do Brasil.
Ao longo de cerimônia aberta por Marcelo Castello Branco, presidente da UBC, o artista baiano foi reverenciado em festa-show que teve números musicais com o cancioneiro do compositor.
Entre récitas de versos de músicas como Língua (1984) e O quereres (1984), ouvidos na voz da atriz Mariana Ximenes, Caetano Veloso viu – sentado na primeira fila do auditório do 12º andar do prédio da UBC, ao lado da mulher e empresária Paula Lavigne – nomes do mainstream do pop brasileiro abordarem músicas da obra do artista.
Em que pese a presença imponente do buda nagô Gilberto Gil, que cantou Coração vagabundo (1967) a sós com o violão singular, com suavidade reverente a João Gilberto (1931 – 2019), mestre tanto de Caetano quanto Gil, o elenco foi dominado por nomes sobressalentes na atual geração do pop nacional.
Gilberto Gil canta ‘Coração vagabundo’ no sétimo ‘Prêmio UBC’, no Rio de Janeiro, em cerimônia que celebrou a obra de Caetano Veloso
Miguel Sá / Divulgação
Ferrugem se confirmou bom cantor ao interpretar a canção Você é linda (1983). Luísa Sonza recorreu à intensidade emocional e vocal para dar o recado afetivo de Não me arrependo (2006). João Gomes fez Oração ao tempo (1979).
Com direito a passagens em falsete, Tim Bernardes transitou nas alturas por Trilhos urbanos (1979) em número feito com Jaques Morelenbaum e Pretinho da Serrinha. Zeeba cantou You don’t know me (1972) enquanto Giulia Be emocionou o próprio Caetano ao reviver o trajeto impressionista de London London (1970).
Em outro grande momento, Ritchie iluminou Shy moon (1984) com toques prog e celtas, cantando com vigor, tocando flauta e revelando depois a razão de ter sido convidado a gravar essa canção em dueto com Caetano no álbum Velô (1984).
Popstar que lota ginásios e arenas, Jão emendou Canto do povo de um lugar (1975) com a canção O leãozinho (1977). Já Criolo se mostrou em casa ao puxar Desde que o samba é samba (1992), deixando, em determinado momento, que a plateia cantasse sozinha o samba.
Após fazerem os respectivos números, todos os artistas também reverenciaram Caetano com falas em que externaram a “honra” e o “privilégio” de estarem ali saudando um compositor popular que se tornou referencial na música brasileira desde os anos 1960. Menos Gilberto Gil.
Giulia Be transita por ‘London London’ no show que celebrou a obra de Caetano Veloso na sede da UBC
Miguel Sá / Divulgação
“Para você, não tem palavras. Sem palavras, meu irmão”, disse Gil, ciente de que, de Caetano Veloso já não há mais nada a dizer, a não ser que a gente precisa ver e ouvir Caetano Veloso.
Após a entrega do Prêmio do Compositor Brasileiro ao homenageado (“Muito feliz de ter caído nesse lugar de compositor popular. O melhor lugar onde eu podia cair… na Bahia”, resumiu Caetano em poucas palavras), a festa imodesta se encerrou com o canto coletivo de Odara (1977).
Ao lado dos artistas convidados e do diretor artístico do show, Zé Ricardo, o compositor laureado na sétima edição do Prêmio UBC puxou o coro de música em que propõe o canto e a dança para o mundo ser mais feliz. Ao menos na noite de ontem, a receita funcionou.
Luísa Sonza interpreta ‘Não me arrependo’ na festa-show em homenagem a Caetano Veloso
Miguel Sá / Divulgação

Fonte: G1 Entretenimento