Mais secretários estaduais pedem demissão após afastamento do governador Mauro Carlesse

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O g1 teve acesso a cartas enviadas ao governador em exercício Wanderlei Barbosa em que membros do primeiro escalão pedem exoneração ou colocam o cargo à disposição. Palácio Araguaia, sede do Governo do Tocantins
Reprodução/TV Anhanguera
Mais secretários estaduais podem deixar o comando das pastas a qualquer momento no Tocantins. O g1 teve acesso a cartas enviadas ao governador em exercício Wanderlei Barbosa em que membros do primeiro escalão pedem exoneração ou colocam o cargo à disposição do novo gestor.
As mudanças no cenário político acontecem após investigações da Polícia Federal que levaram ao afastamento do governador Mauro Carlesse (PSL) no dia 20 deste mês. A ordem partiu da corte do Superior Tribunal de Justiça (STJ). O político é apontado como o chefe de uma organização que teria recebido propina e obstruído investigações policiais no estado.
Com o afastamento, o vice-governador Wanderlei Barbosa assumiu o comando do Executivo. As primeiras mudanças foram anunciadas pelo gestor nesta segunda-feira (25). Ao todo, 11 pastas tiveram troca de comando, dentre elas a Secretaria de Segurança Pública e a Secretaria de Parcerias e Investimentos, cujos titulares também foram afastados por determinação judicial. (Veja a lista abaixo)
Juliana Passarin pediu exoneração dos cargos
Washington Luiz/Governo do Tocantins
Nas cartas as quais o g1 teve acesso, pedem exoneração por razões de ordem pessoal: a secretária de Infraestrutura e presidente da Agência Tocantinense de Transportes e Obras (Ageto), Juliana Passarin e o secretário-chefe de gabinete do governador, Sebastião Albuquerque Cordeiro.
Além deles, outros gestores colocaram o cargo à disposição para que Wanderlei promova mudanças e reformas administrativas. São eles: o Presidente do Instituto de Terras do Tocantins, Divino José Ribeiro e a secretária Estadual da Educação, Adriana da Costa Aguiar.
Por telefone, a assessoria de comunicação do Palácio Araguaia informou que o governador passou a manhã em reunião e deve se manifestar sobre o assunto ainda nesta terça-feira.
Secretária Estadual da Educação Adriana Aguiar colorou o cargo à disposição
Reprodução/TV Anhanguera
Confira as pastas em que houve mudanças de chefia
Secretaria de Segurança Pública – sai Cristiano Sampaio e entra Wlademir Costa Oliveira
Secretaria de Parcerias e Investimentos – sai Claudinei Quaresemin e entra José Humberto Filho
Secretaria da Casa Civil – sai Rolf Vidal e entra interinamente Sebastião Pereira Neuzin, novo titular não foi nomeado
Governadoria – sai Divino Allan Siqueira e entra Joseph Madeira
Secretaria da Fazenda – sai Sandro Armando e entra Jairo Mariano (acumulando com a Adetuc)
Secretaria da Saúde – sai Edgar Tollini e entra Afonso Piva de Santana
Secretaria de Comunicação – sai Élcio Mendes, novo titular não foi nomeado
Secretaria Extraordinária de Ações Estratégicas – sai Keliton Barbosa, novo titular não foi nomeado
Secretaria Extraordinária de Assuntos Parlamentares – sai José Humberto Marques e entra Darci Martins Coelho
Secretaria da Indústria – sai Tom Lyra e entra Carlos Humberto Duarte de Lima
Agência de Tecnologia da Informação – sai Thiago Pinheiro Maciel e entra Marco Aurélio Giralde
Além das mudanças de comando, Rafael Sulino de Castro foi nomeado para substituir Inejaim Siqueira. Ele vai ficar como secretário executivo na Secretaria de Administração, cargo responsável por gerir o Servir (antigo Plansaúde), um dos epicentros da investigação que levou ao afastamento de Carlesse.
A investigação
O afastamento do governador Mauro Carlesse e dezenas de agentes públicos foi determinado monocraticamente pelo ministro Mauro Luiz Campbell e confirmado pela corte do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Na manhã da quarta-feira (20) a Polícia Federal fez buscas na casa de Carlesse e na sede do governo do Tocantins. Foram apreendidos dois veículos do governador, levados para a sede da PF em Palmas.
As investigações que resultaram na determinação de afastamento do governador Mauro Carlesse pelo STJ são resultado de duas operações da PF, chamadas Éris e Hygea, que invetigam:
pagamento de propina relacionada ao plano de saúde dos servidores estaduais (Hygea);
obstrução de investigações (Éris);
incorporação de recursos públicos desviados (Hygea).
Conforme apuração da TV Anhanguera, a investigação, que teve início há cerca de dois anos, estima que cerca de R$ 44 milhões tenham sido pagos a título de vantagens indevidas. Os valores podem ser maiores, já que a participação de outras empresas no esquema ainda é investigada.
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Fonte: G1 Tocantins