Natureza espiritual de Mateus Aleluia é o foco de ‘Pontos de força’, sensorial documentário que estreia em São Paulo

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Mateus Aleluia é o eixo central da narrativa do documentário ‘Pontos de força’, dirigido e roteirizado por Vânia Lima
Reprodução / Filme ‘Pontos de força’
♫ CRÍTICA DE DOCUMENÁRIO MUSICAL
Título: Pontos de força
Direção e roteiro: Vânia Lima
Cotação: ★ ★ ★ 1/2
♬ “O tempo é soberano”, enfatiza Mateus Aleluia no início e no fim da narrativa intencionalmente pausada de “Pontos de força”, filme que estreia no próximo sábado, 20 de junho, na 18ª edição do In-Edit Brasil, festival de documentários musicais que estará em cartaz em São Paulo (SP) de 17 a 28 de junho.
É no tempo contemplativo do cantor, compositor e músico baiano que se desenvolve “Pontos de força”, documentário dirigido e roteirizado por Vânia Lima.
A natureza de Mateus Aleluia é o foco deste filme regido pela espiritualidade e que se afina, pelo teor sensorial da narrativa, com outro documentário sobre o artista, “Aleluia – O canto infinito do Tincoã” (2020), dirigido por Tenille Bezerra e apresentado há seis anos no mesmo festival In-Edit Brasil.
Entre números musicais captados ao ar livre em cenários naturais de Cachoeira (BA) e depoimentos de guias turísticos, historiadores e quilombolas ativistas residentes na cidade baiana, “Pontos de força” conecta pessoas com a mesma crença espiritual de que tudo principia na natureza e que, sem folha, não há vida e tampouco há cura real dos males físicos e espirituais provocados pela civilização industrial.
Pela própria natureza e formação cultural, essas pessoas alimentam a alta carga de ancestralidade de Cachoeira (BA). terra natal de Aleluia, cidade do Recôncavo Baiano de atmosfera e geografia afro-barrocas. As falas de líderes religiosos da região contribuem para que o filme de Vânia Lima abra portal que conduz o espectador a um universo imerso na espiritualidade e no orgulho da ancestralidade afro-brasileira. É comovente a cena em que uma professora pede que as crianças repitam em coro o brado “Somos negros. Somos quilombolas”.
Entre takes filmados em terreiros e em matas de Cachoeira (BA), cidade referencial na formação cultural povo brasileiro, “Pontos de força” se revela filme de natureza zen.
Mesmo sem contextualizar a obra de Mateus Aleluia no universo musical brasileiro, até porque parece ter inexistido a preocupação de salpicar informações da biografia do artista ao longo dos 78 minutos do roteiro, “Pontos de força” se ilumina pela alma de Mateus Aleluia, espécie de baobá, guardião das tradições ancestrais do povo afro-brasileiro.
O filme da produtora Tem Dendê é para quem tem fé na espiritualidade e na crença de que uma energia divina se impõe sobre todas as coisas.
Mateus Aleluia em imagem promocional do documentário ‘Pontos de força’
Vinicius Xavier / Divulgação
♪ É tempo de Mateus Aleluia! A estreia do filme “Pontos de força” antecede o lançamento do livro “Afrobarroco” em evento agendado para 8 de julho na Biblioteca Central dos Barris, em Salvador (BA).
Organizado por Tenille Bezerra, diretora do supracitado documentário “Aleluia – O canto infinito do Tincoã”, o livro “Afrobarroco” costura textos, memórias e fundamentos do homônimo projeto desenvolvido por Mateus Aleluia desde os anos 2000 através de palestras musicais, encontros pedagógicos e atividades idealizadas com o objetivo de formação cultural de plateias.
Pensamentos sobre educação, oralidade, religiosidade, convivência cultural e identidade brasileira formam o suprassumo do livro “Afrobarroco”.
Quase toda a tiragem inicial do livro terá distribuição gratuita e dirigida a escolas, bibliotecas, projetos de educação e centros comunitários e culturais. Contudo, haverá a venda pontual de alguns exemplares na Livraria Terra Libris, situada no Cine Glauber Rocha, no centro histórico de Salvador (BA).

Fonte: G1 Entretenimento